Triticale como alternativa para alimentação de suínos e aves

O triticale é um grão produzido como fruto do cruzamento entre o trigo e o centeio. Esse grão permite a manutenção da palhada nos solos mais fracos ou arenosos, contribuindo amplamente com o sistema de plantio direto. É considerada uma espécie muito tolerante a estiagem, com boa resistência a solos ácidos, pobres, arenosos e com presença de alumínio, além de ser uma cultura tolerante a temperaturas mais baixas.

Esse grão é basicamente utilizado para nutrição animal e em menor quantidade para alimentação humana, por meio de seu uso na produção de biscoitos de água e sal e cream craker, dispensando o uso de determinados aditivos, que por sua vez, seriam necessários quando esses alimentos são produzidos somente com trigo.

O pesquisador da Embrapa Trigo, Alfredo do Nascimento Junior, responsável por pesquisas com o triticale, enfatiza o potencial produtivo do triticale na região central do Brasil, como cereal para cultivo alternativo na segunda safra, tanto por ser uma espécie de grande tolerância a ocorrência de pouca chuva.

Segundo ele, os países que mais produzem triticale no mundo são: Polônia, Bielorússia, Alemanha e França, sendo que o crescimento da área mundial produzida foi de 11%, entre 2008 e 2009. “Na Polônia, por exemplo, o produtor usa o triticale para alimentar suas criações, dentro da própria propriedade, reduzindo suas despesas com custos com rações e aumentando a sustentabilidade de seu negócio.

Entretanto, no Brasil, observa-se redução gradual na área de cultivo. Alfredo lembrou ainda que em 2005, o triticale foi plantado com maior amplitude na história da produção desse grão no país, com 130 mil ha. Atualmente, o estado que mais produz triticale é São Paulo, que nesse ano aumentou sua área cultivada em 116%. Os estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul também cultivam triticale. Desta forma, no Brasil a área total prevista de colheita na safra 2011 é de 56 mil ha e 20% superior à área em 2010.

“Infelizmente, desde 2009, o triticale vem perdendo espaço para o milho. Isso é muito ruim para o produtor de suínos e aves, pois com o preço do milho elevado, as cadeias produtivas de carnes e aves estão se tornando inviáveis. Assim, como foi realizado com o arroz, o governo poderia incentivar o cultivo de culturas alternativas ao milho, como o triticale. Precisamos definir novas alternativas para alimentação de suínos e aves no pais”, destacou Alfredo. Ele ressaltou ainda que antes de decidir o que produzir é importante que o produtor identifique as possibilidades de uso e comercialização de sua produção.
MS Notícias