Ácaro vermelho do cafeeiro e estiagem: a combinação que não dá certo

José Nilton Medeiros Costa (Pesquisador Embrapa Rondônia. Engenheiro Agrônomo, M. Sc.,
E-mail: jnilton@cpafro.embrapa.brFarah de Castro Gama ( Biológa, Bolsista CBP&D/Café.
E-mail: farahcg@cpafro.embrapa.br   

 
Em Rondônia, o período de estiagem ocorre de junho a agosto, quando as condições são propícias ao desenvolvimento do ácaro vermelho, que é a segunda praga mais importante para o café Conilon, ficando atrás apenas da broca-do-café. O café Conilon é mais suscetível ao ácaro vermelho do que as cultivares do grupo arábica.
Esse ácaro é uma pequena “aranha” com cerca de 0,5 mm, de cor alaranjada e com manchas escuras, que vive na face superior da folha. O sintoma típico do ataque é o bronzeamento da folha, que é uma reação à raspagem e sucção de parte do conteúdo celular, feita pela praga durante sua alimentação. A folha atacada também fica com um aspecto sujo, devido à formação de uma delicada teia onde grudam detritos e poeira. O ácaro ainda provoca redução da área foliar e desfolha, principalmente nos ataques mais intensos. Nas plantas jovens, as folhas novas ficam pequenas e deformadas, comprometendo seriamente o desenvolvimento e, conseqüentemente, a produção na próxima safra.
O ataque pode ocorrer em reboleiras e em casos graves há uma expansão para toda a lavoura. Cafeeiros menos adensados, não sombreados ou não arborizados e próximos às estradas são mais atacados, sendo a incidência mais séria em plantas jovens.
Naturalmente podem ser encontrados inimigos naturais que mantêm baixa a população de ácaro vermelho, conforme condições de clima e manejo da lavoura. Todavia, o uso de produtos químicos (piretróides sintéticos), para combater o bicho mineiro, assim como de fungicidas à base de cobre, para combater a ferrugem-do-cafeeiro, freqüentemente aumenta a infestação do ácaro vermelho. O ácaro possui resistência aos piretróides e o uso de tal produto irrita as fêmeas, provoca a sua disseminação, estimula a oviposição e elimina inimigos naturais como tripes, joaninhas, crisopídeos e percevejos.
Em condições de desequilíbrio ou forte estiagem e quando o ataque for grave, recomenda-se fazer aplicações de acaricidas específicos, pois este é um método eficaz de controle, baseando-se no grau de infestação e no nível de danos. A seguir, são relacionados os produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o controle do ácaro vermelho (nome comercial, ingrediente ativo e dosagem): Danimem 300 CE (Fenpropathrin) – 200 ml/ha; Dimexion (Dimetoato) – 500-750 ml/ha; Enxofre PM Agripec (Enxofre) – 3-4 kg/ha; Ethion 500 Rhodia Agro (Ethion) – 1,0 l/ha; Hostathion 400 BR (Triazophos) – 0,3-0,5 l/ha; Kayazinon 400 (Diazinon) – 1,5 kg/ha; Kolossus (Enxofre) – 500 g/100l água; Lebaycid 500 (Fenthion) – 1000-1500 ml/ha; Mavrik (Fluvalinate) – 250 ml/ha; Meothrin 300 (Fenpropathrin) – 200 ml/ha; Microsulfan 800 PM – 300-500 g/100l água; Microzol – 1,5-3,0 l/ha; Nutrixofre 800 – 3-5 l/ha; Sulficamp – 700 g/100l água; Thiovit BR – 3-6 kg/ha, Thiovit Sandoz – 3-6 kg/ha (enxofre é o ingrediente ativo dos produtos que não constam a informação), Tiomet 400 CE (Dimetoato) – 120 ml/100l água. O propargite tem se mostrado muito eficiente no controle do ácaro vermelho, porém ainda não tem registro para esse fim. Como a maioria dos defensivos indicados são altamente tóxicos, devem ser usados com critério, obedecendo-se a cuidados como, armazenamento adequado do produto, uso de equipamento de proteção individual e equipamento adequado para realização da pulverização.
Deve-se consultar um Engenheiro Agrônomo sobre os procedimentos de controle da praga e emissão do receituário agronômico, indispensável para aquisição do defensivo, pois a venda indiscriminada é proibida por lei.
 Fonte: Embrapa Rondônia – http://www.cpafro.embrapa.br/embrapa/Artigos/acaro.htm